ATUALIZADO EM: 05 DE NOVEMBRO DE 2019

Relatório do Setor de Proteínas 

O cenário macroeconômico se encontra marcado por um forte contexto de incertezas.

A guerra comercial entre EUA e China é um dos pilares desse movimento. As decisões unilaterais tomadas pelos países têm gerado forte efeito sobre o mercado de bolsa, dado que a cada dia temos uma liberação e/ou uma restrição nova, marcando cenários distintos a cada semana.

Além disso, o mercado se encontra em um momento de tensão com o movimento de baixo crescimento global, que tem levado os bancos centrais a uma baixar suas taxas de juros, em especial nas principais potências. Este fato leva à reformulação das teses de investimentos a cada novo corte das taxas de juros, além de gerar um impacto negativo sobre a balança comercial dos países envolvidos nesse cenário.

A China, um dos focos da guerra comercial, é historicamente o maior mercado consumidor de carnes do mundo.

Dentro desse cenário, é possível observar um menor crescimento do gigante asiático, o que afeta diretamente as importações do país.

Aliado a esse cenário, observamos uma das maiores crises enfrentadas pelo setor frigorífico chinês, a peste suína africana, que afetou a produção de carnes em todo país.  Esse fato acaba levando o setor a uma maior demanda global de proteínas e facilitando a  expansão das empresas ligadas ao setor. 

Independentemente da evolução do PIB chinês ainda ser positiva e bem acima do crescimento das maiores potências mundiais, a China mostra um crescimento decrescente ao longo dos últimos anos, fato que impacta negativamente seu nível de exportações e importações com os outros países. Apesar disso, é possível observar que o segmento de consumo alimentar mantém uma trajetória ascendente de crescimento, aliado ao fato de que a população chinesa tem crescido exponencialmente nos últimos anos.

China em números e expectativas

Dentro do contexto atual de incertezas do mercado, temos que destacar a China, país alvo da peste suína africana. A doença instaurou uma crise no rebanho de suínos do país e já dizimou 40% da produção.

Por isso, iremos analisar o nível de produção chinês (PIB), bem como o seu nível de produção industrial, a fim de expor o contexto interno vivenciado pelo país. Em seguida, abordaremos mais sobre o consumo de alimentos primários, buscando entender os atuais níveis de consumo da população chinesa. E, por fim, analisaremos os efeitos da peste suína sobre a produção e o consumo de proteínas na China.

Esses pontos são de extrema relevância para explorar o atual contexto das empresas de proteína animal brasileiras.

Grande parte da exportação nacional de carnes é composta pelo mercado chinês e, portanto, analisar o cenário do país, bem como seu consumo, se torna essencial.

Dessa forma, destacamos 3 pontos importantes: (i) Guerra Comercial entre China e Estados Unidos, (ii) Peste suína africana e seus efeitos sobre os rebanhos, (iii) Impacto desses fatores sobre as exportações de frigoríficos brasileiros. 

Menor crescimento econômico chinês

As instabilidades e incertezas internacionais estão aumentando significativamente, e os problemas econômicos estruturais chineses ainda são um ponto de atenção.

Em agosto, a produção chinesa cresceu 4,4% no ano, menor nível de avanço em 17 anos. Esses números confirmam as tensões sobre a segunda maior economia mundial.

Apesar da produção industrial chinesa ter apresentado um desaceleração nos últimos anos, é possível observar que o cenário para o setor de proteínas destoa. Com o crescimento populacional chinês, é possível observar uma ampliação da demanda por produtos alimentícios, em especial as proteínas.

O crescimento chinês em patamar acima de 6,0% é muito difícil no atual contexto, com uma situação internacional mais complicada. As vendas no varejo também mostram um arrefecimento neste fim de ano, tendência que dificulta a meta do governo chinês de estimular o consumo interno.

Os números mostram que a economia chinesa teve uma taxa de crescimento anualizada de 6,0% no terceiro trimestre de 2019, o pior resultado desde 1992. Esse crescimento mais fraco da economia chinesa tem reduzido o nível de importações do país.

    • Guerra comercial entre EUA e China afetando o nível de exportações e importações das potências
    • Peste suína africana e seu impacto sobre os rebanhos
    • Liberação de frigoríficos para exportação à China

    A China é a grande aposta para o mercado de frigoríficos no próximo ano. A peste suína africana, que afetou o mercado de proteínas, tem gerado boas oportunidades para os países cujos frigoríficos possuem licenças para exportação à China.

    Por ser altamente contagiosa, a peste suína africana se alastrou rapidamente pela China. A crise que se instalou sobre o setor já atinge 40% do rebanho de porcos do país.

    Este fato faz com que a China tenha que importar um número maior de proteínas, que têm sido diversificadas entre outros tipos, e não somente de carne suína.

    Contudo, a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China tem afetado o nível de exportações e importações entre os dois países. Os aumentos de tarifas já adotados pelas duas potências permanecem em vigor e as reformas estruturais exigidas pelos EUA continuam sem solução.

    Além disso, ainda não foi adotada nenhuma decisão sobre as tarifas de 15% aplicadas aos produtos de grande consumo, que deveriam entrar em vigor em dezembro.

    Apesar deste cenário, o acordo parcial fechado em outubro pelas duas potências levou certo otimismo aos mercados. A China concordou com concessões agrícolas e os EUA forneceram algum alívio tarifário. A Casa Branca consentiu em comprar até US$ 50 bilhões em produtos agrícolas da China anualmente.

    É importante salientar que essas medidas também impactam as exportações brasileiras para a China, principalmente no que diz respeito à soja, já que o Brasil é o maior fornecedor da matéria-prima para o país asiático.

    Dentro desse cenário, foi possível notar a ocorrência de diversos embargos no último ano. Contudo, já é possível observar um movimento contrário nos últimos meses. Tivemos a liberação de 25 frigoríficos para exportação à China, fato que impactou plantas da BR Foods, Marfrig e Minerva.

    Apesar de ser um movimento que já favorece o cenário de frigoríficos, é uma dinâmica ainda bastante reduzida se comparada aos milhares de frigoríficos que temos no país.

    É importante destacar que esse movimento de liberação para exportação dos frigoríficos e aumento da demanda é algo de prazo mais curto, dado que, veremos nos próximos anos, a volta do crescimento dos rebanhos chineses. Contudo, no curto prazo, esse fato tem afetado de forma positiva as empresas ligadas ao setor, que ampliaram suas exportações para a China.

    Dentro deste contexto, é possível observar a distorção do setor de frigoríficos perante o cenário de incerteza global. Com a peste suína africana, já é possível notar um pequeno, porém maior, crescimento das exportações brasileiras para o mercado chinês.

    Segundo dados da Radobank, as exportações de carne bovina do Brasil em 2019 devem crescer 3,9% ante o ano anterior, batendo recorde.

    Os principais motivos são a maior demanda da China, do Egito, e a reabertura da Rússia no fim do ano passado. Além disso, o câmbio também deve ser um dos fatores que deve favorecer os preços e a produção no País.

    Sendo assim, é importante avaliarmos o movimento das exportações e importações de alimentos na China.

    No último ano as exportações de alimentos no país diminuíram, enquanto o nível de importações de alimentos em volume aumentou. Se tratando apenas de bens primários, podemos ver, principalmente, o efeito inicial da peste suína sobre a balança comercial do país.

    É possível notar queda no nível de exportações da China, lembrando que é o país que mais vende no mundo. Contudo, por outro lado, também observamos a queda do nível de importações nos últimos meses.

    Cerca de 43% do total importado pelo país é composto por soja, matéria prima utilizada no alimento dos rebanhos. Portanto, observamos queda na demanda dessa commodity dada a baixa forte nos rebanhos, o que impacta negativamente o volume importado pela China.

    Dentro desse cenário é possível observar a queda no nível exportado pelo Brasil, principalmente porque entre os dez maiores produtos exportados temos a soja e o farelo da soja, segundo dados do MDIC.

    Por outro lado, temos as exportações de carne de frango e carne bovina, também entre os destaques dos produtos mais comercializados entre China e Brasil. As exportações de frango mostraram um aumento de 9,0% na comparação anual, o que condiz com a situação vivenciada na China de redução dos rebanhos de suínos e, consequentemente, aumento na demanda de proteínas importadas de outros países.

    Suínos predominam

    ssA China teve seu primeiro caso oficial de peste suína africana em agosto de 2018. Os números mostram que o declínio da produção de porcos na China já alcança 40% do total, o que é mais do que todos os suínos da Europa ou o dobro do plantel dos EUA.

    É provável que essa estimativa dada pelo governo chinês seja conservadora e que o declínio de suínos esteja na faixa de 50%.

    Os países pares da China na exportação de suínos ainda não conseguiram suprir a nova demanda existente e com isso, os preços do ativo já sinalizam alta no mercado.

    Os suínos são a maior proteína consumida e produzida pela China. Com isso, os efeitos da peste suína africana se tornam ainda maiores em proporção global, dado que o mercado consumidor chinês é o maior do planeta.

    Com o agravamento da peste suína africana na China, é possível observar uma queda no volume de porcos vivos exportados e, consequentemente, um aumento no volume importado da commodity, visando suprir a grande demanda interna mostrada no slide anterior.

    Com isso, cresce a demanda por outros tipos de proteínas, como é o caso da carne bovina, como mostrado nos gráficos abaixo:

    Avaliando o cenário micro, é possível notar um movimento de alta para os preços de carnes em função da maior demanda chinesa.

    Em agosto, os preços da carne suína e de aves bateram novos recordes. As vendas de carne bovina do Brasil no mercado internacional bateram recorde nos primeiros 6 meses de 2019 e, para 2020, já é esperado um aumento momentâneo na demanda.

    Apesar do aumento dos embarques de carne bovina do Brasil, o preço da proteína bovina no resultado parcial de 2019 foi o menor desde 2010, segundo dados do MDIC.

    Somente no 1S19, a exportação de carne bovina somou US$2,59 bilhões, alta de 18,6% frente ao mesmo período do ano anterior. Logo, a temporária suspensão da importação de carne bovina do Brasil pela China não alterou o cenário de compras.

    São inegáveis os efeitos da crise da peste suína africana na China. Só neste ano, as importações de carne de porco pelo país já avançaram 40,4% no acumulado até agosto. No mês, houve uma alta de 76% nas compras chinesas em relação ao mesmo período do ano anterior.

    A redução no rebanho suíno do mundo já está em quase 40% e, na comparação anual, houve uma alta de 32% nas compras de carne bovina no mês de agosto, além de aumento de 54% de janeiro a agosto.

    Dentro deste contexto, é possível observar o crescimento da importância do Brasil como fornecedor de proteína de origem animal para a China. Além do cenário chinês, é possível notar o forte crescimento da Rússia e da Turquia na exportação de carne bovina em 2019.

    Das carnes produzidas no Brasil, Hong Kong se encontra como o maior consumidor. Outro grande comprador de carne brasileira é a China. A demanda de carne bovina da China e de Hong Kong continuará forte, à medida que a produção doméstica estagnada e as incertezas da doença em proteínas de carne competidoras impulsionam o consumo.

    O Brasil é hoje o segundo maior produtor de carne bovina e de frango do mundo.

    Além disso, a União Europeia e o Canadá estão na lista como sendo os maiores exportadores de carne, e essas potências absorveram de maneira modesta a alta de preços de proteína animal.

    No que diz respeito ao nível de preços, estes ainda não subiram de forma expressiva. Mas, como alguns exportadores já alcançaram seu nível máximo de capacidade, é possível que os preços subam já nos próximos trimestres.

    Argentina, União Europeia e Canadá

    Dentro dessa conjuntura, é importante analisar pares de mercado que concorrem com o mercado brasileiro de proteínas, como é o caso da Argentina.

    O país deve se manter pelo segundo ano consecutivo no ranking dos dez maiores exportadores de carne bovina do mundo, podendo chegar à 5ª posição esse ano.

    Neste período, a Argentina teve a liberação de 7 frigoríficos para exportação de frango (quarta maior posição entre os produtos agropecuários mais exportados para a China pela Argentina) e 8 frigoríficos para exportação de carne bovina. Contudo, é necessário analisar também o contexto interno vivenciado pelo país.

    O cenário argentino é de redução do consumo interno de carnes devido à alta inflação registrada no ano, o que gerou queda de 11,3% no consumo nos últimos 7 meses na comparação anual.

    Dessa forma, as empresas argentinas passam a focar de maneira mais forte no mercado externo para exportação, sendo a China um dos principais destinos para esse excedente de carnes.

    O país opera com 90% da sua capacidade e a perspectiva é de que o volume de carne bovina dobre esse ano.

    A estratégia do governo de Macri é a conquista de novos consumidores, especialmente no mercado asiático, que compra todo tipo de cortes, diferentemente da Europa, destino dos cortes nobres.

    Assim, é possível notar a diferença entre esses mercados.

    • O mercado chinês é focado nas exportações por volume.
    • O mercado europeu é buscado pelo quesito preço das exportações.
    • A Argentina segue na liderança das exportações de carne bovina para a China nos primeiros 7 meses do ano.
    • O Brasil vem em seguida da Argentina, com a liberação de mais 17 unidades em 9 de setembro.

    O maior rebanho de gado do mundo em número de animais está na Índia, seguido de Brasil, China, Estados Unidos e União Europeia. O rebanho mundial está em torno de 998,3 milhões de animais, sendo que 30,3% desse total se encontra na Índia.

    Em relação aos suínos, a China se encontra como o maior produtor mundial, com uma participação de 51% no mercado. Em seguida, vem a União Europeia com 20% e os Estados Unidos com 10%. O Brasil se encontra na lista com uma participação de 3%, contudo, no somatório, o país segue como o 4° maior produtor de carnes do mundo neste ano.

     

      Porco:

      • Ampliação dos preços a partir do mês 09/2018 quando foi descoberto o surto de peste suína africana.
      • Impacto forte sobre os preços quando se declarou a quantidade do rebanho chinês que já havia sido atingida.

        Boi:

        • Efeito da substituição de proteína suína por outros tipos de proteína como a de boi.

          Frango:

          • Efeito da substituição de proteína suína por outros tipos de proteína, como a de frango.
          • Impacto da maior demanda a partir de 2019.

            Mercado de grãos

            É muito importante analisar o mercado de grãos dentro desse contexto de crescimento nas exportações de proteínas, dado que grãos são a matéria-prima para o alimento dos rebanhos.

            O maior mercado de grãos é o chinês, e dentro dele é possível notar pouco a pouco a eliminação das criações familiares e sem estrutura, que correspondem pela maior parte das criações, por uma profissionalização desse mercado na China.

            Um dos pontos de destaque no que diz respeito a esse mercado é que tudo dependerá do acordo entre EUA e China, fato que deve ser monitorado de perto.

            O acordo entre EUA e China pode prejudicar as vendas brasileiras no mercado de soja, dada a grande oferta de Pequim aos americanos.

            Dentro desse cenário, as oportunidades se abrem nas relações comerciais entre Brasil e China para o mercado de milho, trigo e derivados de soja.

            Ao lado temos a cotação da soja e do milho negociados na Bolsa de Chicago.

            Cenário da Soja

            • Produção liderada pelos estados de Mato Grosso (28,1%), Rio Grande do Sul (16,8%), Paraná (14,2%), Goiás (9,9%) e Mato Grosso do Sul (7,4%).
            • A soja também está migrando para novas áreas como Maranhão, Tocantins, Pará, Rondônia, Piauí e Bahia, que em 2018 e 2019 correspondem a 14% da produção brasileira.
            • Nítida tendência de crescimento da agricultura para o Norte no país, principalmente em direção aos estados de Rondônia, Pará e Tocantins, devido aos preços de terras atrativos e relevo favorável, apesar de suas deficiências de infraestrutura.
            • A projeção é de que a produção cresça em 32,9% até 2028/29, percentual que se encontra abaixo do crescimento de 67,0% nos últimos 10 anos no Brasil.
            • A projeção é de que o consumo cresça 22,6% até 2028/29, pouco acima do consumo de milho, que está projetado entre 19,7% entre 2019 e 2029. Ambos os produtos são essenciais na produção de rações.
            • É a lavoura que mais deve se expandir na próxima década, com aumento de cerca de 9,5 milhões de hectares até 2029 ou 26,6%,. 
            • Preocupação em relação às projeções de produtividade, que mostram uma relativa estagnação. 
            • A expansão deve ocorrer, principalmente, sobre terras de pastagens naturais.

            Cenário do milho

            • Produção distribuída nos estados de Mato Grosso (31,3%), Paraná (16,7%), Goiás (10,4%), Mato Grosso do Sul (10,1%) e Minas Gerais (7,4%).
            • Contribuição de 75,8% desses estados para a produção nacional esperada em 2018/19, que é de 95,3 milhões de toneladas.
            • Perspectiva de aumento de aumento de 7,2% da área plantada entre 2018/19 e 2018/29.
            • Nos últimos dez anos, a área total cresceu 33,2%, sendo o milho segunda safra o maior responsável por esse crescimento.
            • Consumo interno de milho em 2018/19 representa 65,6% da produção e deve permanecer próximo a esse número no próximo decênio.
            • Esse consumo deve exigir uma composição de maior proporção de outros produtos na composição de rações para animais, como é o caso da soja.

            “Nos últimos dez anos a área total cresceu 33,2% sendo o milho a segunda maior safra”

            Os fatores que podem influenciar o mercado de proteínas nos próximos anos são:

              • Aumento das exportações de proteínas em nível mundial, fomentando o preço dos produtos.
              • Fator cíclico do crescimento da economia global.
              • Aumento no consumo da China e, consequente, expansão das exportações para o país.
              •  Liberação de novos frigoríficos para exportação.
              • Guerra comercial entre EUA e China.
              • Queda no crescimento global.

              As exportações brasileiras de carne bovina cresceram 25,5% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

              40% das exportações de carne brasileira são destinadas para a Ásia.

              Hong Kong e China foram os principais países destino de exportações de carne no último ano, correspondendo a 43,7% de toda a carne embarcada pelo Brasil.

              Forte dependência do setor exportador de apenas dois grandes destinos.

              O faturamento do primeiro semestre do ano teve alta de 16,2%, segundo dados da Abiec.

              Entre os produtos mais vendidos ao exterior está a carne in natura, que registrou crescimento de 28% ante o mesmo período do ano passado.

              Tendências do mercado

              A produção global de carne bovina deverá se tornar mais sustentável para atender às novas e crescentes exigências de consumidores. Já é possível observar as iniciativas que ocorreram no último ano, como:

              1. O compromisso de grandes marcas de comprar carne sustentável.
              2. Os programas de sustentabilidade desenvolvidos, além da criação da Associação Brasileira de Produtores de Carne Carbono Neutro.
              3. Empresas já se oferecendo para entregar os primeiros produtos de carne bovina neutros em emissão.

              O McDonald’s já faz esforços para comprar carne sustentável e a processadora brasileira Marfrig já entrega os primeiros produtos de carne bovina neutros em carbono em 2019.

              A Cargill é outro grande nome que também anunciou planos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em suas operações de carne bovina na América do Norte em 30% até 2030.

              Além disso, o programa de sustentabilidade lançado pela Tyson Foods e a criação da Associação Brasileira de Produtores de Carne Carbono Neutro, em fevereiro, reforçam a teoria de que o ritmo das mudanças deve acelerar em todo o mundo.

              Esse ritmo de mudança deve se intensificar em todo o mundo, principalmente em grandes mercados, como é o caso da China.

              O conceito de produção sustentável de carne bovina aumentou este último ano, principalmente por causa das iniciativas orientadas pelo mercado.

              É esperado que o ritmo da sustentabilidade nas cadeias globais de fornecimento de carne bovina aumente à medida que o apoio de governos, grupos ambientais, investidores e desenvolvedores de proteínas alternativas continua crescendo.

              A sustentabilidade vem deixando de ser um custo para as companhias e tem se tornado um atributo comercial para as vendas. As empresas já têm oferecido cortes produzidos em áreas recuperadas, livres de degradação, em biomas da região Norte sem desmatamento, integrando todos os elos da cadeia.

              Empresas como a Seara, do grupo JBS, e a BRF estão lançando produtos de carne vegetal no mercado brasileiro, visando alcançar um público de grande crescimento nos últimos anos.

              Há uma forte necessidade de investimentos em tecnologia, melhora da produtividade e da qualidade dos animais, junto à redução da emissão de gases de efeito estufa e ao respeito à área de preservação permanente, reserva legal e recursos hídricos.

              O compromisso com as operações sustentáveis têm se fortalecido, principalmente diante das críticas nacionais e internacionais que o Brasil enfrenta sobre o desmatamento vivenciado pelo mesmo.

              A nova tendência atinge um nicho de mercado que valoriza a qualidade do produto em detrimento do preço e dá alta atenção às informações contidas nos rótulos.

              O fato de o Brasil ser um importante exportador de carne bovina gera demandas por adoção de práticas de produção mais sustentáveis e que minimizem o impacto ambiental associado à produção pecuária convencional e extensiva.

              Contudo, as práticas de produção mais sustentáveis costumam ser mais caras porque envolvem uma gama de tecnologias, como os sistemas integrados entre lavoura, pecuária e floresta, produção orgânica, entre outras. Além disso, a baixa escala de produção também impacta o valor de mercado. 

              A carne vegetal usa um preparado de proteínas de vegetais como soja e ervilha e outros artifícios, como beterraba, para imitar características como textura, suculência e sabor da carne animal.

              Os maiores expoentes no mundo desse mercado atualmente são as norte-americanas Beyond Meat e Impossible Foods, que já receberam milhões de dólares em investimentos.

              Enquanto as cifras do mercado brasileiro ainda não são claras, as estimativas apontam que o mercado de alternativas à carne deverá valer cerca de US$ 100 bilhões em 2035.

              A Seara está preparando uma linha de produtos para vegetarianos, além do hambúrguer, de olho em uma tendência que chegou para ficar. O custo do hambúrguer à base de vegetais é 20% a 25% maior do que o de carne bovina, mas a expectativa é de que isso se reduza nos próximos meses.

              Influência do Câmbio

              O Brasil, na condição de um dos maiores exportadores de commodities agropecuárias, pode, através do aumento da oferta global proporcionada pelo crescimento das suas exportações, afetar os preços internacionais.

              Essa relação de causalidade deve ser observada em praticamente todos os mercados, como é o caso do mercado internacional de carne bovina processada.

              Analisando os efeitos internos, é possível observar que, conforme estimativas do Cepea, variações na taxa de câmbio efetiva do Brasil levam em torno de sete meses para afetar o preço internacional da carne bovina processada (US$/kg).

              No caso de uma valorização de 10% do câmbio brasileiro, que pode desestimular as exportações e, conseqüentemente, reduzir a oferta do produto após sete meses, espera-se um aumento em torno de 1,25% no preço internacional.

              Logo, é possível observar que uma desvalorização cambial beneficia as exportações, assim, empresas que possuem um mercado em potencial fora do país têm a oportunidade de explorar esse aumento das vendas.

              Por outro lado, a valorização do câmbio impacta negativamente o produto exportado, dado que esse se torna “mais caro”.

              BRF, JBS, Minerva e Marfrig

              BRF

              A BRF é a gigante brasileira de frangos e suínos. A companhia está conversando com os principais bancos brasileiros para antecipar o pagamento de empréstimos, reduzir taxas de juros e alongar vencimentos de um total de aproximadamente R$ 5,0 bilhões em dívidas de curto prazo.

              Essa revisão de perspectiva reflete o compromisso da empresa de reduzir a dívida e melhorar o cronograma de vencimentos, mantendo posição de liquidez saudável. A perspectiva positiva também reflete a política financeira disciplinada da BR Foods para gerenciar sua liquidez, mantendo um “colchão” confortável e uma gestão rigorosa do capital de giro.

              Um dos ponto de atenção é de que a Companhia ainda enfrenta riscos que podem prejudicar sua capacidade de fornecer métricas mais fortes no médio prazo, como:

              1. Crescimento da capacidade no processamento global de aves, afetando os níveis de preços no médio prazo.
              2. Aumento da tensão no Oriente Médio, local em que a empresa possui marcas atuantes.
              3. Potenciais passivos contingentes à investigação de corrupção “Operação Trapaça”.

              A perspectiva continua estável para a empresa no próximo ano, contudo essa pode ser revisada se preços mais fortes não se concretizarem, enfraquecendo as margens, o fluxo de caixa operacional livre e resultando em uma desalavancagem muito mais gradual.

               

              Minerva

              No que diz respeito à Minerva, a abertura da China a novas exportações deve acelerar o movimento de desalavancagem da companhia, sendo que a empresa lidera as exportações de carne bovina para o país asiático com 5 plantas habilitadas para exportação. A companhia, além de atuar no processamento de carne bovina, também atua no setor suíno e de aves.

              A Minerva acabou adiando a operação de abertura de capital de sua subsidiária chilena, a Athena Foods, na bolsa de Santiago, o que permitiria uma maior capitalização, devido à situação política enfrentada pelo país e à situação adversa de mercado, principalmente no que diz respeito à guerra comercial.

              Sendo a maior exportadora de carne bovina da América do Sul, a companhia se beneficia da desvalorização do peso na Argentina, dado que a maior parte da produção é destinada à exportação. Um ponto de atenção no que diz respeito à empresa é em relação ao alto custo fixo que ela possui, que acaba encurtando suas margens.

               

              Marfrig

              Já a Marfrig, segunda maior indústria de carne bovina do mundo, irá dobrar a produção na planta de Várzea Grande, e há a possibilidade de reabertura de um abatedouro de bovinos que a empresa possui na Argentina.

              Essas medidas vêm como resposta às permissões liberadas pela China, o que fará com que a capacidade de exportação mais que dobre. Além disso, a Companhia já está se adequando para atender a demanda da China através da ampliação das contratações.

              Um ponto de atenção é que a empresa é uma das principais que operam na Argentina, contudo, sua atuação em cerca de 100 países diminui seu risco geográfico.

              A companhia ainda tem adotado a estratégia de redução do custo da dívida, fato que favorece suas margens.

              JBS

              Por sua vez, a JBS é uma empresa que possui 70% de suas operações nos EUA e a expectativa é de que haja dinâmicas melhores para as operações da companhia no país, apesar do seu contexto ainda incerto.

              A empresa deve continuar apresentando fortes resultados operacionais e melhora no capital de giro, além da perspectiva de redução da alavancagem. Recentemente, a empresa vendeu ativos para a Minerva e, dessa forma, não atua mais na Argentina, mercado que tem passado por uma situação político-econômica complicada.

              A companhia continua com seus trabalhos de análise para uma possível listagem de suas ações na bolsa de Nova York. Desde o início do ano, os papéis da JBS listados na B3 já se valorizaram cerca de 150%, chegando a um valor de mercado de R$80 bilhões, o que corresponde à empresa que mais ganhou valor de mercado desde o início do ano.

              Dentre os acionistas que têm ganhado com essa valorização, vemos o BNDES, que detém cerca de 21% da participação da empresa e já estuda vender sua participação no frigorífico e mudar seu foco de atuação.

              Múltiplos das companhias do setor

              É possível observar na tabela ao lado que a JBS possui o maior indicador Preço/Lucro, mostrando que a ação está mais cara que seus pares de mercado.

              Marfrig apresenta o maior valor de Preço/Valor Patrimonial por ação, mostrando que a empresa está sendo negociada por 8,4 vezes o seu valor patrimonial.

              Minerva possui passivo a descoberto, ou seja, o seu valor patrimonial é negativo.

              BRF possui o melhor múltiplo EV/EBITDA, ou seja, o Valor da Firma/Lucro Operacional.

              A JBS possui o menor índice de alavancagem, que é medido pela Dívida Líquida/EBITDA

              JBS é a única que tem distribuído dividendos aos seus acionistas

              Os pontos de atenção que permanecemos de olho

              Acreditamos na manutenção do cenário positivo no médio prazo. Os efeitos da peste suína africana sobre o mercado de frigoríficos deve ser um dos maiores fatores de influência para o próximo ano.

              Além disso, o mercado vai continuar de olho nos efeitos da guerra comercial entre EUA e China. As taxações sobre os produtos chineses e as restrições impostas pelo governo norte-americano são os principais fatores de influência que impactam o setor.

              Sendo assim, continuaremos acompanhando de perto esses cenários e possíveis pontos de entrada nos ativos citados.

              JBS se destaca ante seus pares de mercado.

              Dentre as empresas do setor de proteínas, acreditamos que JBS se destaca e por isso recomendamos compra no papel. Além dos bons múltiplos apresentados é possível observar a forte queda no nível de endividamento da companhia, fato que favorece à expansão de seus negócios. A JBS ainda deve se favorecer da peste suína na China, que favorece as exportações da empresa para o país.
              Apesar do envolvimento da companhia nas operações da Polícia Federal, acreditamos que maior parte desse evento já está precificado pelo papel. E apesar de a ação já ter se valorizado fortemente neste ano, acreditamos que o ativo ainda tem mais espaço para andar. Dessa forma, acreditamos que JBS é um bom ativo para investir no momento e vale entrada até a faixa dos R$ 33,65 buscando alvo nos R$40,00.

              Pontos negativos

              • No ano, o papel já se valorizou cerca de 150%
              • O custo dos grãos ainda pode aumentar nesse 2S19 devido ao forte ritmo de exportações (Brasil)
              • Impacto da crise suína africana ainda pequeno sobre as vendas da Companhia
              • 70% do faturamento da companhia advém dos negócios nos EUA e a guerra comercial vivenciada pelo país limita os efeitos da peste suína africana na China
              • Envolvimento da companhia nas operações da Lava Jato
              • Riscos associados a barreiras sanitárias 
              • Visão de governança corporativa ainda é fraca

              Pontos positivos

              • Crescimento da receita de 12,1% e de 20% do EBITDA em relação ao mesmo período de 2018, além da reversão do prejuízo para um lucro de R$2,2 bilhões
              • Queda no índice de alavancagem da companhia (relação dívida líquida/Ebitda de 2,8x)
              • Ciclo favorável para a produção de carne bovina nos EUA e recuperação da rentabilidade no Brasil
              • Aumento da demanda por frango e carne suína
              • Possibilidade de IPO nos Estados Unidos
              • Volta do crescimento através das aquisições e redução da dívida bruta favorecendo novas aquisições
              • Uma das três principais empresas nos EUA, ao lado das americanas Tyson Foods e Cargill 
              • Perspectiva favorável para os custos com grãos nos EUA, reduzindo os custos com ração.
              • Maior produtor de proteínas e segunda maior empresa de alimentos do mundo
              • Diversificação das fontes de receita por grupo alimentar (atua no processamento de carnes bovina, suína, ovina e de frango) e entre mercados consumidores em âmbito global
              • Elevação do rating de BB- para BB com perspectiva estável pela S&P 
              • Antecipação de R$ 1,5 bilhão em dívidas com bancos com liberação de R$ 7,8 bilhões em garantias, seguindo a estratégia de realizar a gestão de seus passivos de forma a refletir a sua atual solidez financeira diminuindo o montante de ativos dados em garantia, reduzindo juros e alongando seu perfil de endividamento 
              • Aderência da companhia às novas tendências de mercado de proteína vegetal, através de sua subsidiária Seara

              Principais indicadores

              • Crescimento de 12,1% na receita da companhia no 2T19 em comparação com o mesmo período do ano anterior, somando R$ 95,2 bilhões
              • Crescimento de 14,5% do lucro bruto da companhia em relação ao mesmo trimestre do ano anterior
              • A companhia conseguiu reverter o prejuízo apresentado no 2T18 e apresentou lucro na faixa de R$ 3,3 bilhões
              • Redução de 14,2% nas despesas operacionais da companhia
              • Crescimento de 19,4% no EBITDA da empresa
              • Redução da alavancagem de 3,47x para 2,78x no 2T19

               

              Gráficos: Fonte Bloomberg | Elaboração Própria